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15 de fevereiro de 2015

«Eros e Psique» de Fernando Pessoa, segundo Anabela Mota Ribeiro
BECRE XXI domingo, fevereiro 15, 2015 0 comentários

«Eros e Psique» (1934)
Poema de Fernando Pessoa, in: Poesia, 1931-1935. Assírio & Alvim.

Declamado por Anabela Mota Ribeiro
Música: Ryuichi Sakamoto
VideoPoema de Produções Ficticias/Projecto Voz

Hiperligação: Casa Fernando Pessoa




Conta a lenda que dormia
Uma Princesa encantada
A quem só despertaria
Um Infante, que viria
De além do muro da estrada.

Ele tinha que, tentado,
Vencer o mal e o bem,
Antes que, já libertado,
Deixasse o caminho errado
Por o que à Princesa vem.

A Princesa Adormecida,
Se espera, dormindo espera,
Sonha em morte a sua vida,
E orna-lhe a fronte esquecida,
Verde, uma grinalda de hera.

Longe o Infante, esforçado,
Sem saber que intuito tem,
Rompe o caminho fadado,
Ele dela é ignorado,
Ela para ele é ninguém.

Mas cada um cumpre o Destino
Ela dormindo encantada,
Ele buscando-a sem tino
Pelo processo divino
Que faz existir a estrada.

E, se bem que seja obscuro
Tudo pela estrada fora,
E falso, ele vem seguro,
E vencendo estrada e muro,
Chega onde em sono ela mora,

E, inda tonto do que houvera,
À cabeça, em maresia,
Ergue a mão, e encontra hera,
E vê que ele mesmo era
A Princesa que dormia.

13 de fevereiro de 2015

«Tabacaria» de Álvaro de Campos, segundo João Villaret + Dead Combo
BECRE XXI sexta-feira, fevereiro 13, 2015 0 comentários

«Tabacaria» (1928)
Poema de Álvaro de Campos, in: Poesias (1944)
Declamado por João Villaret
Instrumentação por Dead Combo

Fontes:





Não sou nada. 
Nunca serei nada. 
Não posso querer ser nada. 
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo. 

Janelas do meu quarto, 
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é 
(E se soubessem quem é, o que saberiam?), 
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente, 
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos, 
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa, 
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres, 
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens, 
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada. 

Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade. 
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer, 
E não tivesse mais irmandade com as coisas 
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua 
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada 
De dentro da minha cabeça, 
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.

Estou hoje perplexo como quem pensou e achou e esqueceu. 
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo 
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora, 
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro. 

Falhei em tudo. 
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada. 
A aprendizagem que me deram, 
Desci dela pela janela das traseiras da casa, 
Fui até ao campo com grandes propósitos. 
Mas lá encontrei só ervas e árvores, 
E quando havia gente era igual à outra. 
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar? 

Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou? 
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa! 
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos! 
Génio? Neste momento 
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu, 
E a história não marcará, quem sabe?, nem um, 
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras. 
Não, não creio em mim. 
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas! 
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo? 
Não, nem em mim... 
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo 
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando? 
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas - 
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -, 
E quem sabe se realizáveis, 
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente? 
O mundo é para quem nasce para o conquistar 
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão. 
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez. 
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo, 
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu. 
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda, 
Ainda que não more nela; 
Serei sempre o que não nasceu para isso; 
Serei sempre só o que tinha qualidades; 
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta 
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira, 
E ouviu a voz de Deus num poço tapado. 
Crer em mim? Não, nem em nada. 
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente 
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo, 
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha. 
Escravos cardíacos das estrelas, 
Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama; 
Mas acordámos e ele é opaco, 
Levantámo-nos e ele é alheio, 
Saímos de casa e ele é a terra inteira, 
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido. 

(Come chocolates, pequena; 
Come chocolates! 
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates. 
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come! 
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes! 
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folhas de estanho, 
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.) 

Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei 
A caligrafia rápida destes versos, 
Pórtico partido para o Impossível. 
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas, 
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro 
A roupa suja que sou, sem rol, pra o decurso das coisas, 
E fico em casa sem camisa. 

(Tu, que consolas, que não existes e por isso consolas, 
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva, 
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta, 
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida, 
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua, 
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais, 
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -, 
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado. 
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco 
A mim mesmo e não encontro nada. 
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta. 
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam, 
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam, 
Vejo os cães que também existem, 
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo, 
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.) 

Vivi, estudei, amei, e até cri, 
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu. 
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira, 
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses 
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso); 
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo 
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente. 

Fiz de mim o que não soube, 
E o que podia fazer de mim não o fiz. 
O dominó que vesti era errado. 
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me. 
Quando quis tirar a máscara, 
Estava pegada à cara. 
Quando a tirei e me vi ao espelho, 
Já tinha envelhecido. 
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado. 
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário 
Como um cão tolerado pela gerência 
Por ser inofensivo 
E vou escrever esta história para provar que sou sublime. 

Essência musical dos meus versos inúteis, 
Quem me dera encontrar-te como coisa que eu fizesse, 
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte, 
Calcando aos pés a consciência de estar existindo, 
Como um tapete em que um bêbado tropeça 
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada. 

Mas o dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta. 
Olhou-o com o desconforto da cabeça mal voltada 
E com o desconforto da alma mal-entendendo. 
Ele morrerá e eu morrerei. 
Ele deixará a tabuleta, e eu deixarei versos. 
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta, 
E a língua em que foram escritos os versos. 
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu. 
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente 
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas, 
Sempre uma coisa defronte da outra, 
Sempre uma coisa tão inútil como a outra, 
Sempre o impossível tão estúpido como o real, 
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície, 
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra. 

Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?), 
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim. 
Semiergo-me enérgico, convencido, humano, 
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário. 

Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los 
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos. 
Sigo o fumo como uma rota própria, 
E gozo, num momento sensitivo e competente, 
A libertação de todas as especulações 
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto. 

Depois deito-me para trás na cadeira 
E continuo fumando. 
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando. 

(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira 
Talvez fosse feliz.) 
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela. 

O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?). 
Ah, conheço-o: é o Esteves sem metafísica. 
(O dono da Tabacaria chegou à porta.) 
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me. 
Acenou-me adeus gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo 
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o dono da Tabacaria sorriu. 

Fonte:
VideoPoesia

«Liberdade» segundo Fernando Pessoa
BECRE XXI sexta-feira, fevereiro 13, 2015 0 comentários

«Liberdade»
Poema de Fernando Pessoa
in: Obra Poética, vol. 1
VideoPoema por Produções Fictícias/Projeto Voz
Declamado por Raul Solnado

Hiperligação:
Casa Fernando Pessoa





Ai que prazer 
Não cumprir um dever, 
Ter um livro para ler 
E não fazer! 
Ler é maçada, 
Estudar é nada. 
Sol doira 
Sem literatura 
O rio corre, bem ou mal, 
Sem edição original. 
E a brisa, essa, 
De tão naturalmente matinal, 
Como o tempo não tem pressa... 

Livros são papéis pintados com tinta. 
Estudar é uma coisa em que está indistinta 
A distinção entre nada e coisa nenhuma. 

Quanto é melhor, quanto há bruma, 
Esperar por D.Sebastião, 
Quer venha ou não! 

Grande é a poesia, a bondade e as danças... 
Mas o melhor do mundo são as crianças, 

Flores, música, o luar, e o sol, que peca 
Só quando, em vez de criar, seca. 

Mais que isto 
É Jesus Cristo, 
Que não sabia nada de finanças 
Nem consta que tivesse biblioteca...

12 de fevereiro de 2015

«Ao volante do Chevrolet pela estrada de Sintra» de Álvaro de Campos
BECRE XXI quinta-feira, fevereiro 12, 2015 0 comentários

«Ao volante do Chevrolet pela estrada de Sintra» (1928)
Poema de Álvaro de Campos, in: Poesias (1944)
Declamado por Rui Morrison
VideoPoema por Produções Fictícias/Projecto Voz

Hiperligação:



Ao volante do Chevrolet pela estrada de Sintra,
Ao luar e ao sonho, na estrada deserta,
Sozinho guio, guio quase devagar, e um pouco
Me parece, ou me forço um pouco para que me pareça,
Que sigo por outra estrada, por outro sonho, por outro mundo,
Que sigo sem haver Lisboa deixada ou Sintra a que ir ter,
Que sigo, e que mais haverá em seguir senão não parar mas seguir?
Vou passar a noite a Sintra por não poder passá-la em Lisboa,
Mas, quando chegar a Sintra, terei pena de não ter ficado em Lisboa.
Sempre esta inquietação sem propósito, sem nexo, sem consequência,
Sempre, sempre, sempre,
Esta angústia excessiva do espírito por coisa nenhuma,
Na estrada de Sintra, ou na estrada do sonho, ou na estrada da vida...
Maleável aos meus movimentos subconscientes do volante,
Galga sob mim comigo o automóvel que me emprestaram.
Sorrio do símbolo, ao pensar nele, e ao virar à direita.
Em quantas coisas que me emprestaram guio como minhas!
Quanto me emprestaram, ai de mim!, eu próprio sou!
À esquerda o casebre — sim, o casebre — à beira da estrada.
À direita o campo aberto, com a lua ao longe.
O automóvel, que parecia há pouco dar-me liberdade,
É agora uma coisa onde estou fechado,
Que só posso conduzir se nele estiver fechado,
Que só domino se me incluir nele, se ele me incluir a mim.
À esquerda lá para trás o casebre modesto, mais que modesto.
A vida ali deve ser feliz, só porque não é a minha.
Se alguém me viu da janela do casebre, sonhará: Aquele é que é feliz.
Talvez à criança espreitando pelos vidros da janela do andar que está em cima
Fiquei (com o automóvel emprestado) como um sonho, uma fada real.
Talvez à rapariga que olhou, ouvindo o motor, pela janela da cozinha
No pavimento térreo,
Sou qualquer coisa do príncipe de todo o coração de rapariga,
E ela me olhará de esguelha, pelos vidros, até à curva em que me perdi.
Deixarei sonhos atrás de mim, ou é o automóvel que os deixa?
Eu, guiador do automóvel emprestado, ou o automóvel emprestado que eu guio?
Na estrada de Sintra ao luar, na tristeza, ante os campos e a noite,
Guiando o Chevrolet emprestado desconsoladamente,
Perco-me na estrada futura, sumo-me na distância que alcanço,
E, num desejo terrível, súbito, violento, inconcebível,
Acelero...
Mas o meu coração ficou no monte de pedras, de que me desviei ao vê-lo sem vê-lo,
À porta do casebre,
O meu coração vazio,
O meu coração insatisfeito,
O meu coração mais humano do que eu, mais exacto que a vida.
Na estrada de Sintra, perto da meia-noite, ao luar, ao volante,
Na estrada de Sintra, que cansaço da própria imaginação,
Na estrada de Sintra, cada vez mais perto de Sintra,
Na estrada de Sintra, cada vez menos perto de mim...

Fonte:
Videopoesia

11 de fevereiro de 2015

«Menino de sua mãe» de Fernando Pessoa
BECRE XXI quarta-feira, fevereiro 11, 2015 0 comentários

«Menino de sua mãe» (1926)
Poema de Fernando Pessoa
in: Poesia 1918-1930

Declamado por Luís Gaspar
Videopoema por Quadrante Digital

Hiperligações:
Casa Fernando Pessoa
Assírio & Alvim



No plaino abandonado  
Que a morna brisa aquece,  
De balas traspassado —  
Duas, de lado a lado —, 
Jaz morto, e arrefece.
  
Raia-lhe a farda o sangue.  
De braços estendidos,  
Alvo, louro, exangue,  
Fita com olhar langue  
E cego os céus perdidos.
  
Tão jovem! que jovem era!  
(Agora que idade tem?)  
Filho único, a mãe lhe dera  
Um nome e o mantivera:  
"O menino da sua mãe".
  
Caiu-lhe da algibeira  
A cigarreira breve.  
Dera-lhe a mãe. Está inteira  
E boa a cigarreira.  
Ele é que já não serve.
  
De outra algibeira, alada  
Ponta a roçar o solo,  
A brancura embainhada  
De um lenço... Deu-lho a criada  
Velha que o trouxe ao colo.
  
Lá longe, em casa, há a prece:  
"Que volte cedo, e bem!"  
(Malhas que o Império tece!)  
Jaz morto, e apodrece,  
O menino da sua mãe.

Fonte:
Videopoesia

2 de fevereiro de 2015

«O dos Castelos»: a abertura de «Mensagem» de Fernando Pessoa
BECRE XXI segunda-feira, fevereiro 02, 2015 0 comentários

«O Dos Castelos»
Poema de Fernando Pessoa,
in: Mensagem (1934)

Declamado por Sinde Filipe
Música por Laurent Filipe
Videopoema por Quadrante Digital

Hiperligações:
Casa Fernando Pessoa
Oficina do Livro



A Europa jaz, posta nos cotovelos: 
De Oriente a Ocidente jaz, fitando,
E toldam-lhe românticos cabelos
Olhos gregos, lembrando.

O cotovelo esquerdo é recuado;
O direito é em ângulo disposto.
Aquele diz Itália onde é pousado;
Este diz Inglaterra onde, afastado,
A mão sustenta, em que se apoia o rosto.

Fita, com olhar esfíngico e fatal, 
O Ocidente, futuro do passado.

O rosto com que fita é Portugal.

27 de janeiro de 2015

Concurso Nacional de Leitura, fase ESCT - os resultados
BECRE XXI terça-feira, janeiro 27, 2015 0 comentários

Com o objetivo de promover a leitura nas escolas, o Plano Nacional de Leitura (PNL), em articulação com a Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas (DGLAB) e com a Rede de Bibliotecas Escolares (RBE), promove, no ano letivo 2014-2015, a 9ª Edição do Concurso Nacional de Leitura (CNL).
Realizou-se, no passado dia 19 de janeiro, pela segunda vez na nossa escola, a prova da 1ª fase do CNL, com a finalidade de motivar os alunos para o gosto e a prática da leitura.

Num total de 12 participantes, foram apurados três alunos para a fase distrital, os quais representarão a escola numa prova que terá por suporte a leitura de duas obras selecionadas para o efeito pela Biblioteca Municipal, e terá lugar entre março e maio, em local e data a designar pela entidade responsável pelo concurso..

Parabéns aos alunos vencedores...

1º - Filomena Alexandra Ramos Fernandes, Nº13 - 12º F
2º - Ana Carolina Condez, Nº3, 11ºA
3º - Duarte Valente da Cruz Silva, Nº11 - 12ºB

… e a todos os participantes:


Ana Martins, Madalena Oliveira
(Professoras de Português)

23 de janeiro de 2015

«Poema em linha recta» de Álvaro de Campos, segundo Carlos Nobre e Paulo Autran
BECRE XXI sexta-feira, janeiro 23, 2015 0 comentários

«Poema em Linha Recta» (1933)
Poema de Álvaro de Campos, in: Poesias (1944)

-versão 1-
Declamado por Pacman (Carlos Nobre), in: O Algodão Não Engana (2011)
VideoPoema por Sir Bártolo
- versão 2 -
Declamado por Paulo Autran
VideoPoema por Flavia Guttler

Hiperligações:
Casa Fernando Pessoa
Assírio e Alvim

-versão 1-


- versão 2 -



Nunca conheci quem tivesse levado porrada.
Todos os meus conhecidos têm sido campeões em tudo. 

E eu, tantas vezes reles, tantas vezes porco, tantas vezes vil,
Eu tantas vezes irrespondivelmente parasita,
Indesculpavelmente sujo,
Eu, que tantas vezes não tenho tido paciência para tomar banho,
Eu, que tantas vezes tenho sido ridículo, absurdo,
Que tenho enrolado os pés publicamente nos tapetes das etiquetas,
Que tenho sido grotesco, mesquinho, submisso e arrogante,
Que tenho sofrido enxovalhos e calado,
Que quando não tenho calado, tenho sido mais ridículo ainda;
Eu, que tenho sido cômico às criadas de hotel,
Eu, que tenho sentido o piscar de olhos dos moços de fretes,
Eu, que tenho feito vergonhas financeiras, pedido emprestado sem pagar,
Eu, que, quando a hora do soco surgiu, me tenho agachado
Para fora da possibilidade do soco;
Eu, que tenho sofrido a angústia das pequenas coisas ridículas,
Eu verifico que não tenho par nisto tudo neste mundo. 

Toda a gente que eu conheço e que fala comigo
Nunca teve um ato ridículo, nunca sofreu enxovalho,
Nunca foi senão príncipe - todos eles príncipes - na vida...


Quem me dera ouvir de alguém a voz humana
Que confessasse não um pecado, mas uma infâmia;
Que contasse, não uma violência, mas uma cobardia!
Não, são todos o Ideal, se os oiço e me falam.
Quem há neste largo mundo que me confesse que uma vez foi vil?
Ó príncipes, meus irmãos, 

Arre, estou farto de semideuses!
Onde é que há gente no mundo? 

Então sou só eu que é vil e erróneo nesta terra? 

Poderão as mulheres não os terem amado,
Podem ter sido traídos - mas ridículos nunca!
E eu, que tenho sido ridículo sem ter sido traído,
Como posso eu falar com os meus superiores sem titubear?
Eu, que tenho sido vil, literalmente vil,
Vil no sentido mesquinho e infame da vileza.

Fonte:
VideoPoesia

21 de janeiro de 2015

«Para Ser Grande, Sê Inteiro» de Ricardo Reis
BECRE XXI quarta-feira, janeiro 21, 2015 0 comentários

«Para Ser Grande, Sê Inteiro»
Um poema de Ricardo Reis [Fernando Pessoa]
in: Odes. Edições Ática, 1927-1930

Declamado por Manuela de Freitas, in: Poemas de Bibe (1990)
VideoPoema por Cinepovero2009
Fonte: Wiki/Ricardo Reis




Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.

20 de janeiro de 2015

«Autopsicografia» de Fernando Pessoa
BECRE XXI terça-feira, janeiro 20, 2015 0 comentários

«Autopsicografia» (1930)
Poema de Fernando Pessoa
in: Poesia (1918-1930)

Declamado por David Fonseca
Videopoema por Projecto Voz
Hiperligação: Casa Fernando Pessoa



O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

Fonte:
VideoPoesia

Fernando Pessoa, Escritor do Mês
BECRE XXI terça-feira, janeiro 20, 2015 0 comentários

 «[É] o poeta da angústia existencial, da depressão, da melancolia, 
alguém que percebeu a crise da Humanidade 
e utilizou isso como matéria-prima essencial
da própria escrita, da própria vida»
Fernando Pinto do Amaral (escritor)

«É um génio»
Clara Ferreira Alves (escritora)

«[Pessoa era] um daqueles seres que estava desajustado no tempo, 
não cabia nos espaços e no corpo que lhe davam»
Fernando Dacosta (escritor)

«A sua poesia é de qualidade tremenda.
A própria criação dos heterónimos é, ela mesma,
portadora de poesia e uma lição existencial muito importante
não só para o século XX, como para a actualidade»
Rui Tavares (historiador)

Fundo documental seleccionado, recomendado
e disponível para consulta 

na BECRE:

Obras de Fernando Pessoa e heterónimos:


Estudos e citações de/sobre Fernando Pessoa:


DVD:


CD Áudio - Poesia declamada:
«Mensagem» - poemas ditos por Luís Miguel Cintra
«Odes de Ricardo Reis» - poemas ditos por Luís Lima Barreto
«Ode Marítima de Álvaro de Campos» - poemas ditos por João Grosso

CD-ROM:
- contém artigos, dicionário, 
mediateca (audio, imagem e vídeo, jogo interactivo)




Sítios electrónicos e blogues recomendados:

Casa Fernando Pessoa – Sítio electrónico oficial da Casa-Museu Fernando Pessoa, dirigida por Inês Pedrosa. Programação, nota biográfica, banco de poesia, biblioteca digital (em desenvolvimento a 30.09.2010) e serviço educativo.
Mundo Pessoa - O blogue da Casa Fernando Pessoa com notícias de poesia e literatura.


 um fernando pessoa – Sítio electrónico de Nuno Hipólito com estudos, biografia, bibliografia, multimédia, obra completa, análise de poemas e blogue.
Fernando Pessoa - blogue brasileiro com bibliografia, biografia, cronologia, imagens, obras completas e excertos organizados por heterónimo.

 
«A base de dados Arquivo Pessoa e o portal MultiPessoa são uma actualização [do] cd-rom [...] MultiPessoa — Labirinto Multimedia (Leonor Areal, 1997)[...]O portal MultiPessoa apresenta [em 30.09.2010] duas vertentes activas: 1. o Labirinto, componente educacional de iniciação à obra de F.P., acompanhada de imagens e leituras orais de 120 poemas; 2. o Arquivo Pessoa, base de dados da maior parte da obra pessoana, com capacidades de pesquisa de texto complexas; este corpus será progressivamente actualizado com os novos éditos dos últimos 10 anos.» 

«[...] a revista Pessoa busca firmar-se como espaço de democratização do acesso à produção literária de língua portuguesa [...] A Pessoa, com periodiciade trimestral, [é uma] revista baseada em [...] sólidos princípios: promoção e incentivo à leitura, respeito à diversidade de ideias e tendências, intercâmbio entre as culturas dos povos que formam a comunidade lusófona.»
Dirigida por Luiz Ruffato. Fernando Pinto do Amaral, coord. nacional do Plano Nacional de Leitura, é membro do Conselho Editorial.

Fernando Pessoa – colectânea de citações




Música (com poemas de Fernando Pessoa e heterónimos:
Amélia Muge - “Sono de ser”.
Ana Moura - “Fado de Pessoa” - fado em homenagem a Fernando Pessoa.
Camané - “Sopra demais o vento” - poema de 5-XI-1914.
Cristina Branco - “Mágoa” (extracto 5).
Dulce Pontes - “O Infante” - poema de «Mensagem».
Joana Amendoeira - “Sopra mais o vento”.
Mariza - “Cavaleiro Monge
Moonspell “Opium” (cit. "Opiário" de Álvaro de Campos).
Zeca Afonso - “O comboio descendente”.
Maria Bethânia - "Sonho Impossível" - “Cartas de Amor”.
Caetano Veloso - "Padrão" - poema da Mensagem.
Secos e Molhados “Não, não digas nada”.

13 de janeiro de 2015

Concurso Nacional de Leitura 2015 - fase ESCT/data e local da prova de seleção
BECRE XXI terça-feira, janeiro 13, 2015 0 comentários


Terminada que está a fase de inscrições para o
Concurso Nacional de Leitura 2015/Fase ESCT,
anuncia-se que a prova de seleção ocorrerá no próximo dia
19 de janeiro de 2015,
pelas 17:00 horas na sala A106.

A todos os inscritos a BECRE deseja boas leituras
e bom trabalho no momento da prova!

8 de janeiro de 2015

A poesia de Herberto Hélder
BECRE XXI quinta-feira, janeiro 08, 2015 0 comentários

Herberto Hélder é considerado um dos grandes poetas de língua portuguesa. A BECRE tem à disposição dos seus utilizadores, a partir de hoje, a obra «Poemas Completos» (2014) que reúne a sua produção poética, segundo a revisão que preparou para esta nova coletânea. Será a definitiva?
Esta obra reúne os seguintes livros:
A colher na boca - Poemacto - Lugar - Comunicação académica - A máquina lírica - A máquina de emaranhar paisagens - Húmus - Cinco canções lacunares - Os brancos arquipélagos - Antropofagias - Etc. - Exemplos - O corpo o luxo a obra - Dedicatória - Flash - A cabeça entre as mãos - Última Ciência - Os selos - Os selos, outros, últimos - Do mundo - A faca não corta o fogo - Servidões - A morte sem mestre

Outras obras de Herberto Hélder disponíveis para consulta na BECRE


7 de janeiro de 2015

«Os Maias: cenas da vida romântica» segundo Eça de Queirós + João Botelho
BECRE XXI quarta-feira, janeiro 07, 2015 0 comentários


Disponíveis (DVD + Jornal de Letras)
para consulta na BECRE


«Os Maias», a obra prima de Eça de Queirós e um dos mais importantes romances europeus do século XIX, foi adaptado para o cinema por João Botelho, o realizador de «Filme do Desassossego» (2010) e «Quem És tu?» (2001).
Já considerado um dos filmes marcantes da história do cinema português - pelos cenários, pelo guarda roupa e pela mestria de João Botelho - «Os Maias» constitui um valioso recurso educativo na abordagem à magistral obra de Eça de Queirós.
Um filme a não perder!