30 de setembro de 2014

«EGON SCHIELE: A ALMA NOCTURNA DO ARTISTA» - REINHARDT STEINER (ed. Taschen)
BECRE XXI terça-feira, setembro 30, 2014 0 comentários


Disponível para consulta na BECRE e no domicílio - oferta de José Fernando Vasco.

«Assim como cada época tem slogans a resumir as imagens directivas, os desenhos e as aspirações de uma determinada sociedade - basta pensar em palavras como "decadência" e "fim de século" -, também a obra de um artista possui imagens-chave, que lhe fazem transparecer o carácter e as raízes da criação com a maior das purezas. [...] Esta ideia é tanto mais justificada quanto numa obra o lugar mais importante for ocupado pelo auto-retrato - como se passa com Egon Schiele.»

Fonte:
STEINER, Reinhardt (1993). Egon Schiele 1890-1918: A alma nocturna do artista, Lisboa: Taschen, p.7.


Também disponível
para consulta na BECRE
e no domicílio.




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«MNEMON» - O 1º VOLUME DA TRILOGIA «A ILHA DE MELQUISEDECH» (VERA DE VILHENA)
BECRE XXI terça-feira, setembro 30, 2014 0 comentários

Disponível para consulta na BECRE e no domicílio - oferta de Júlia Coutinho.







«Nesta narrativa fantasiada, com um pé na realidade, o leitor irá conhecer Menamon, o rapaz que não dorme; Oto, o gigante ciclope; Rigoletto, o Repórter; Organtina, a ninfa do lago; Eloque, o Orador; Ratatosk, o corcunda; Furfuris, o duende doméstico ... e muitos outros seres tornados extraordinários, no dia em que Melquisedech os subtraiu ao Outro Mundo, para lá do Mare Ignotum, e os levou para a Ilha de Sono, onde ninguém entra e de onde ninguém sai. Encerrados na sua própria idade pela magia deste druida feiticeiro, usam o talismã que os mantém protegidos, numa frágil cúpula, a salvo de angústias e maldições. Habitam um lugar limpo e sedutor e têm a profissão no nome. Ninguém nasce, ninguém morre. As mulheres usam a lã de ouro dos rebanhos para esfregar tachos e escudelas. Cristalina, a Árvore do Esquecimento, é o freixo que amadurece cristais multicolores, a moeda de troca que as cuique suums entregam em cada casa. Conseguirá Melquisedech manter este mundo perfeito, onde todos parecem viver felizes?»
Fonte:
contracapa

O presente volume - «Mnemon» (2013) - é o primeiro da trilogia «A Ilha de Melquisedech» de Vera Vilhena, vencedora do Prémio Revelação APE/Babel 2011.

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24 de setembro de 2014

IDENTIDADE VISUAL DA BIBLIOTECA DA ES CACILHAS-TEJO
BECRE XXI quarta-feira, setembro 24, 2014 0 comentários

No ano letivo de 2009-2010, os alunos do 3º ano do Curso Profissional Técnico de Design Gráfico desenvolveram propostas para identidade visual da BECRE, no âmbito da disciplina de Design Gráfico e sob orientação da professora Lúcia Inácio. Os projectos foram desenvolvidos e no final foram apresentadas propostas de identidade visual. A proposta então selecionada foi desenvolvida pelo aluno Marcos Cohen, igualmente autor da IdV adotada em 2007.


No início do presente ano letivo, a professora Paula Penha amavelmente se disponibilizou para desenvolver, em formatos diferentes, a identidade visual da BECRE, conforme a seguir se apresenta*.

  


  

     







A Marcos Cohen e à professora Paula Penha, endereço os meus agradecimentos por acreditarem no trabalho colaborativo com resultados que, pela sua qualidade, persistem em permanecer.

* As várias versões da IdV só poderão ser utilizadas pela equipa BECRE em situações oficialmente validadas pelo professor bibliotecário. Poderão ainda ser utilizadas por outras estruturas e/ou serviços da ES Cacilhas-Tejo, dando conhecimento por email para becre.esct@gmail.com.
A utilização por entidades, estruturas, serviços... exteriores à ES Cacilhas-Tejo carece de pedido de autorização, igualmente endereçado para becre.esct@gmail.com e o qual será respondido no prazo máximo de 3 dias úteis.

23 de setembro de 2014

BECRE 2014-2015 - a reconfiguração necessária
BECRE XXI terça-feira, setembro 23, 2014 0 comentários


Eis a nova configuração das áreas da Biblioteca Escolar da ES Cacilhas-Tejo (BECRE) que proporcionou o aumento para 21 o número de postos TIC destinados aos utilizadores.
Esta área encontra-se agora dividida em 4 subáreas, sendo que as duas mais próximas da área de atendimento são as prioritárias para a utilização comum; e as outras duas - articuladas com a Área de Leitura - destinam-se prioritariamente à pesquisa de informação e elaboração de trabalhos.
Esta reconfiguração visa a rentabilização de espaços e equipamentos em prol de uma maior eficácia na prestação dos serviços inerentes à BECRE.

22 de setembro de 2014

LER+ É PRECISO I
BECRE XXI segunda-feira, setembro 22, 2014 0 comentários


11 de setembro de 2014

CALENDÁRIO ESCOLAR 2014-2015
BECRE XXI quinta-feira, setembro 11, 2014 0 comentários

Divulga-se o calendário escolar para o ano letivo de 2014-2015.

Na ES Cacilhas-Tejo...

* 15 de setembro de 2014 - Receção aos alunos do 10º ano
* 16 de setembro de 2014 - Início das aulas para todos os anos dos cursos diurnos e noturnos.
* 05 de junho de 2015 - Encerramento das aulas para os 10º, 11º e 12º ano (cursos científico-humanísticos).




Fontes:

2 de setembro de 2014

NÓS, OS HUMANOS, SOMOS SERES FRÁGEIS
BECRE XXI terça-feira, setembro 02, 2014 0 comentários


Dizia em meados do século passado o pedagogo Delfim Santos: «De todos os seres viventes, o menos inicialmente dotado para persistir é o homem.» Daí concluía o caráter imprescindível da educação e a importância dos «cuidados dos próximos» para a formação e desenvolvimento da humanidade dos humanos — uma tarefa infinita, imperfeita, persistente, pois o homem é «um ser que tem de fazer-se e a todo o momento refazer-se.»

É, portanto, o homem um ser de cultura e um ser social. Mas, a sociedade o que é? Uma comunidade de pessoas ou um conjunto de indivíduos mais ou menos isolados? É que na noção de pessoa está presente alguém que é portador «dos valores sociais do homem, porventura pouco úteis a determinado tipo de vida, mas sempre úteis como expressão de humanidade.» São ainda palavras de Delfim Santos, das quais retirava a ideia de «escola como oficina da personalidade».


Neste contexto, a cidadania implica a assunção de direitos mas também de deveres. É um ponto que, por exemplo, a filósofa Victoria Camps sublinha: «É necessário ter sempre presente a sábia observação de Terêncio: o indivíduo realmente humano é o que considera que nada de humano lhe é alheio, o que se sente obrigado em relação aos outros por deveres de justiça.»

Deveres de justiça, deveres de humanidade, e o dever maior de cumprir a nossa tarefa à face da terra, para se poder dizer: «Sim, valeu a pena. Ser preso por causa das nossas convicções e estar preparado para sofrer por aquilo em que se acredita valer a pena. É uma conquista para um homem cumprir o seu dever na terra independentemente das consequências.» (Nelson Mandela)

E o dever de uma pátria e de um povo se cumprirem ― foi o que aconteceu há 40 anos em abril, nesse dia em que, no dizer de António Borges Coelho, «a estrela da manhã brilhou e, livres, cantámos a terra da fraternidade.»

Um dia em que educar se revelou também ser «a arte de fazer falhar o sistema educativo a que se foi submetido.» (João dos Santos)

Um dia em que a política mostrou poder ser um exercício coletivo da cidadania.


Não, a sociedade não é um conjunto de indivíduos; é uma comunidade de pessoas.
Não, o «povo não é um qualquer ajuntamento de homens congregado de qualquer maneira, mas o ajuntamento de uma multidão associada por um consenso jurídico e por uma comunidade de interesses.» (Cícero)


São frágeis os humanos. Mas também seres de esperança. Por mais sombrios que sejam os tempos que vivemos ou em que nos querem fazer viver numa guerra não declarada contra Abril e a escola pública, nós trabalhamos todos os dias para nos fortalecer. E para fortalecer a qualidade da estrutura de acolhimento que também é a escola, e do processo relacional aberto de descoberta conjunta da realidade e da vida em que consiste o ato educativo num horizonte de emancipação. Quando, a propósito de um testemunho de resistência e dignidade, um estudante nos escreve que «todos devemos resistir e nunca desistir, devemos sempre manter-nos fiéis a nós próprios e à nossa causa» — é de esperança que se trata.
Na escola a esperança é um trabalho de todos os dias.
Que a nossa escola quer continuar a cumprir.
Pedro Santos Maia

Texto e imagens constantes do Painel ESCT de participação na
«Mostra 2014 - ensino superior, secundário e profissional», organizada pela Câmara Municipal de Almada

1 de setembro de 2014

BIBLIOTECA DA ES CACILHAS-TEJO: UMA PERSPETIVA DE FUTURO!
BECRE XXI segunda-feira, setembro 01, 2014 0 comentários

A Biblioteca Escolar da ES Cacilhas-Tejo entra hoje numa nova fase da sua existência, estabilizada que se encontra a sua gestão após cinco anos de aplicação da Portaria 756/2009 que criou a figura do professor bibliotecário.
O caminho percorrido desde 2009 foi imenso e transformou a BECRE, adaptando-a às novas necessidades diferenciadas de utilizadores diversificados: alunos, professores, assistentes e membros da comunidade local.

A partir de 2014-2015, a prioridade é conferida ao desenvolvimento de programas e projetos de promoção de competências ao nível das literacias, nomeadamente da Literacia da Informação.

Disponível para consulta na BECRE e no domicílio
Conforme muito notoriamente sublinha José Afonso Furtado em "Uma Cultura da Informação para o Universo Digital", «a actual revolução digital e a nova era da informação obrigam a reflectir sobre outros tipos de literacia, que envolvam não apenas a capacidade de ler e escrever ou efectuar cálculos, mas que tenham em conta o acesso e capacidade de manipulação dos media digitais» (ob. cit. p. 191).
Em boa verdade, hoje é absolutamente decisivo que se formem as pessoas para que elas possam «reconhecer quando a informação é necessária, e ter as capacidades para a localizar, avaliar e usar eficazmente» (ob. cit. p. 198).

A formação de cidadãos livres, autónomos, responsáveis e com capacidade de intervenção consciente na sociedade implica que percebamos que «a cidadania numa democracia moderna implica mais do que saber como aceder a informações vitais; implica igualmente uma capacidade de reconhecer a propaganda, a desinformação e maus usos da informação» (American Library Association, ob. cit. p. 199).

Ora, no contexto escolar do ensino secundário, cabe à Biblioteca Escolar dinamizar e mobilizar recursos para este desígnio absolutamente estruturante para o país e para cada um dos cidadãos, no microcosmos da comunidade escolar. Neste sentido, foi apresentada - no passado ano letivo - uma Proposta de Plano de Formação para Professores no Domínio das Literacias, proposta essa que obteve acolhimento favorável no Conselho Pedagógico da ESCT mas que ainda aguarda pela sua concretização.

O percurso trilhado para a Biblioteca Escolar da ES Cacilhas-Tejo a partir de 2009 teve, seguramente, obstáculos, erros de estratégia e alguns equívocos mas não deixou de transformar radicalmente a forma como a comunidade escolar e a comunidade local passaram a observar o trabalho naquela desenvolvido.

Um pequeno filme produzido em finais de 2009 - bem como o antigo blogue da BECRE - são bem o testemunho disso mesmo!


Quando se completar o segundo ciclo de 4 anos após a publicação da portaria 756/2009, certamente que o balanço do caminho percorrido reforçará ainda mais a célebre frase de António Machado (1875-1939):

«O caminho faz-se caminhando!»

A todos os alunos, professores e assistentes da Escola Secundária de Cacilhas-Tejo...
Votos de um bom ano letivo!

18 de agosto de 2014

«DA DIFERENÇA À IGUALDADE» - XVI SEMINÁRIO REGIONAL DE EDUCAÇÃO DE TOMAR
José Fernando Vasco segunda-feira, agosto 18, 2014 0 comentários

“ [...] uma das vocações essenciais da educação do futuro será o exame e o estudo da complexidade humana. Desembocaria na tomada de conhecimento, isto e, de consciência, da condição comum a todos os humanos e da muito rica e necessária diversidade dos indivíduos, dos povos, das culturas, sobre o nosso enraizamento como cidadãos da Terra...” 
MORIN, Edgar (2002).
Os sete saberes para a educação do futuro. Lisboa: Instituto Piaget, p. 66. 

Resultando de uma longa e profícua parceria entre a Câmara Municipal de Tomar e o Centro de Formação Os Templários, o XVI Seminário Regional de Educação abordou a temática “Da diferença à igualdade”. 

Partindo do conceito base de uma escola para todos e do reconhecimento de constituir, hoje e na sua essência, uma soma de parcelas diferenciadas; o seminário organizou-se em torno de três grandes questões: a educação não formal, os direitos das crianças e a multiculturalidade – questões com reflexos imediatos e evidentes na gestão de sala de aula. 

No primeiro painel - Educação não formal - Cristina Vieira (Fac. de Psicologia e Ciências da Educação, Univ. Coimbra) abordou as questões do género (comportamentos sociais expectáveis e reais) e da cidadania, bem como a permanência das estereotipias (ou da “adequação” dos papéis, como resultado dos estereótipos de género e como condicionante das escolhas sociais). 

  Face ao pré conceito/preconceito – “A casa é das mulheres, a rua é dos homens” - há que promover a igualdade de oportunidades, independentemente do sexo biológico; a socialização diferencial de cada um dos sexos, desde muito cedo. O papel da escola e dos professores é essencial. Guiões de suporte ao combate às estereotipias (www.cig.gov.pt) já existem para o ensino básico e, presentemente, está a ser terminado um guião destinado ao ensino secundário. 

Segundo La Salette Coelho (ENED – Gabinete de Estudos para a Educação e Desenvolvimento), o propósito fundamental da escola em formar cidadãos corre o risco de ser remetido para segundo plano face ao objetivo de formar profissionais. Sendo que a ENED tem como missão «promover a educação para a cidadania global», isto é, estimular processos de resposta aos desafios no mundo global; defende, na linha de Marjorie Drake, os seguintes princípios unificadores e pilares: interdependência, cidadania global, reconhecimento da diversidade, a promoção do desenvolvimento sustentável, da justiça social e dos Direitos Humanos; numa estratégia de identificação de perceções, promoção de valores e resolução ativa de conflitos. Defendendo a formação integral da pessoa e um processo de mudança rumo a uma cidadania global responsável e mobilizando instrumentos de luta contra a exclusão, injustiça e desigualdades sociais; a ENED visa centrar no processo de aprendizagem uma estratégia de ação/reflexão (saber ser, saber fazer, saber saber), promover a equidade mais do que igualdade, o auto conhecimento e a empatia, a adaptabilidade ao contexto e a abertura ao conhecimento do outro. Como disse Boaventura Sousa Santos, “Tenho direito de ser igual quando a diferença me inferioriza. Tenho direito de ser diferente quando a igualdade me descaracteriza”. A AidGlobal, representada por Susana Damasceno, defendeu a ideia de “educar para cooperar”, ou seja, a possibilidade e importância da integração da educação para o desenvolvimento no currículo.

No segundo painel - A promoção dos direitos das crianças - Jorge Varela (ex-presidente da Comissão de Proteção de Crianças e Jovens das Caldas da Rainha) defendeu que a criança é sujeito de direitos, isto é, titular dos mesmos; o que representa, face ao passado, uma mudança de paradigma. De acordo com a Constituição da República Portuguesa, nos artigos 36º e 69º; e de acordo com o direito comunitário e o restante direito internacional, a Humanidade deve à criança o melhor dos seus esforços, no superior interesse da criança: nomeadamente, na garantia do seu desenvolvimento físico, intelectual, moral, espiritual e social. Defendendo que as CPCJ devem ajudar os pais a proteger as crianças e a garantir-lhes os direitos à vida, nome (dignidade), liberdade de expressão (como sujeitos de direitos), a igualdade jurídica de oportunidades, a brincar, à educação e à proteção. As CPCJ devem pois promover ações de defesa ativa dos direitos e de prevenção dos maus tratos e responder aos casos concretos.
Na relação entre a criança e a Escola, defendeu que o exercício da autoridade pelo professor é um direito inalienável da criança e, logo, um dever do professor. Argumentou ainda em torno de não ter sentido um Estatuto do Aluno, porque existem alunos na sua imensa diferença: “só quando formos todos diferentes é que seremos todos iguais.”

No terceiro painel - multiculturalidades na Escola - Cristina Milagre (Alto Comissariado para as Migrações), defendendo uma escola intercultural afirmou que “desocultar a diversidade já é valorizá-la”. Para ajudar os professores e as escolas a promover ativamente a interculturalidade, elaborou-se um “Guia de avaliação de Práticas de Educação Intercultural”, um instrumento crítico que aponta desafios e pistas, questiona práticas e promove um balanço crítico. Sendo a interculturalidade uma opção deliberada de gestão e estando prevista no Projeto Educativo (intencionalidade coletiva) de uma escola, o apoio do ACIDI/ACM - bolsa de formadores, Kit intercultural Escolas e atribuição de Selo Escola Intercultural – visa incentivar a recolha sistemática de dados, a avaliação sistemática de práticas, o processo de monitorização de resultados escolares dos alunos de minorias culturais, o estabelecimento de medidas de apoio, a valorização da língua materna dos alunos e da diversidade religiosa, a promoção de rotinas de acolhimento, da participação dos pais; a intervenção de mediadores interculturais e/ou linguísticos, a adoção de uma linguagem inclusiva e não estereotipada e de estratégias e instrumentos de combate aos estereótipos; de modo a que diversidade cultural se reflita no esquema de representação social. Os programas de intervenção residem em 4 opções estratégicas: a educação para a diversidade cultural e para todos, a educação para o sucesso educativo das minorias, a educação antirracista e a educação sistémica.

Sílvia Moreira, do Programa Escolhas (Tomar, “O Rumo Certo”) exemplificou casos de intervenção junto de jovens de meios desfavorecidos, através de cinco linhas de atuação/programas: I - Escolhas na Escola - coadjuvação de expressões; II - Formação profissional e estratégias de procura ativa de emprego; III - Dinamização comunitária; IV - Inclusão digital; V - Empreendedorismo e capacitação. Ana Raquel Simões (Universidade de Aveiro) defendeu a aliança entre a educação para a multiculturalidade e a educação em línguas nas escolas (“de um mundo a preto e branco a um mundo colorido“). Na sua opinião, as línguas podem contribuir para a desconstrução dos preconceitos: “a língua portuguesa plural fica sempre mais bonita, parece um sonho...” (Ondjaki) Natália Ramos (Universidade Aberta) relembrou que "aprender a gerir a diversidade cultural é a riqueza das sociedades futuras“ (WOLTON: 2003), na sequência da “Declaração Universal da Diversidade Cultural” (UNESCO: 2001).

Luís Souta (Instituto Politécnico de Setúbal), no âmbito dos 40 anos da Revolução de Abril, procedeu ao balanço da educação multicultural em 4 andamentos, a saber: 1. Antes do 25 de Abril; 2. Abrir os braços - Roberto Carneiro (transformação top-down): consagração da diversidade linguística, programas, base de dados, diversidade religiosa, formação superior para a educação intercultural e “Recomendação 1/2001” do CNE; 3. EB competências essenciais (retórica). Comissão para as minorias étnicas; 4. 2011-... mudança na Europa - à direita volver: “o multiculturalismo faliu” (MERKEL: 2010); referendo na Suíça; Sarkozy (“uma comunidade nacional, quem não quiser não é bem vindo”); deportação da estudante kosovar; nomeação de primeiro-ministro xenófobo, em França.

Luiza Cortesão, refletindo sobre diversidade cultural e educação, citou José Francisco Soares (2005): “a proficiência escolar tem género, cor e é distribuído de forma desigual entre as regiões do país e as redes de ensino.” Maria do Carmo Vieira da Silva deu “a voz aos alunos” de modo a obter a sua perceção sobre a multiculturalidade: “conhecer culturas novas nunca fez mal a ninguém!” 

O XVI Seminário Regional de Educação foi uma excelente oportunidade para uma reflexão conjunta sobre o papel da escola na sua função mais nobre: a promoção da equidade e da liberdade enquanto condições base essenciais para o integral desenvolvimento humano, individual e social. Apesar de no atual «quarto andamento» (Luís Souta) o nobre princípio de defesa da multiculturalidade/ interculturalidade estar ameaçado pela ideologia e práticas políticas dominantes, negar a existência da diversidade é negar o potencial da espécie humana. Combater os preconceitos e reconhecer e valorizar as minorias étnicas, culturais ou linguísticas é uma das tarefas essenciais da educação do século XXI, em direção a uma antropo-ética (MORIN: 2002). 
Em jeito de conclusão – e reafirmando os princípios e valores da educação para a multiculturalidade/ interculturalidade como por mim já adotados há muitos anos; “é muito importante que a liberdade, na Educação como no resto da vida política, social, cultural e económica, se viva respeitando a justiça, a equidade no tratamento dos cidadãos de acordo com as suas necessidades específicas…” (GUINOTE: 2014).
Lisboa, 12 de maio de 2014.

NATIVOS DIGITAIS VS. IMIGRANTES DIGITAIS - UMA FALSA OPOSIÇÃO
José Fernando Vasco segunda-feira, agosto 18, 2014 0 comentários


“O Conhecimento será determinante no aproveitamento da conectividade […] O Conhecimento constituirá o factor-chave na interpretação e no uso da informação […] O Conhecimento implicará a existência de cidadãos melhor preparados […] O carácter estratégico do Conhecimento implica que se vá muito mais longe na preparação das pessoas […] durante toda a vida.”


Junqueiro, Raul (2002). A idade do conhecimento. Lisboa: Editorial Notícias, p. 26.

Nos inícios da segunda década do século XXI e após vinte anos de “revolução silenciosa” (Junqueiro: 22), importa continuar a reflectir sobre os fortes impactos da mudança de paradigma que a “revolução digital” trouxe para as sociedades contemporâneas sem que, com tal desiderato, tenhamos uma postura catastrofista ou ilusória perante as tecnologias da informação e da comunicação.

A propósito da discussão em torno de uma oposição entre gerações – a analógica e a digital; entre uma geração de “nativos digitais” que, pretensamente, lidam com as novas tecnologias de forma tão natural como no “acto de respirar”, e uma geração originalmente analógica e que, com menor ou maior dificuldade, tem procurado integrar-se na nova “idade do conhecimento (Junqueiro: 29); torna-se necessário evitar uma postura de menosprezo do problema e, simultaneamente, evitar cair naquilo que David Justino denuncia: o “fascínio pela tecnologia [que] pode rapidamente transformar-se numa ilusão.” (Difícil é educá-los, 2010, p. 83)

Educadores, professores, pais e cidadãos em geral, nascidos nas décadas de 50 e 60 do século XX espantam-se, nos dias de hoje, com algumas demonstrações – ainda que básicas – de competências digitais que as gerações mais novas revelam: espantam-se com o número de “amigos” no MSN ou no Facebook, a rapidez e o número de SMS enviados diariamente pelos “nativos digitais”, as destrezas e a apetências por jogos online e/ou em consolas, etc.

Contudo, estas evidências, se incontestáveis, mais não são do que a superfície de um problema nuclear das sociedades (e da educação) contemporâneas.

Importa, pois, aprofundar a análise para se perceber que a emergência de novas estruturas económicas, políticas, sociais, culturais e, até, mentais, que a globalização e o advento do digital impulsionaram. Trata-se do desafio maior da qualificação humana, num mundo em que produtividade e competição são valores chave para o desenvolvimento.

É precisamente nesta questão que se deve centrar a discussão pré-anunciada no título desta intervenção. Considero que a oposição “nativo digital versus imigrante digital” é uma falsa questão que a simples observação da realidade revela.

Em primeiro lugar, nem todos os que nasceram na década de 90 têm por adquiridas as competências essenciais e estruturantes no que à manipulação das tecnologias da informação e comunicação concerne. Basta observar atentamente os utilizadores-alunos da biblioteca escolar que dirijo para perceber que existem lacunas gerais da sua formação que, claramente, são inibidoras da sua integração bem sucedida na “sociedade do conhecimento”.

Regra geral, a sua utilização das TIC apresenta-se a um nível consideravelmente básico. Navegam na internet para encontrar informação mas revelam dificuldades sérias na sua selecção e avaliação. Utilizam programas de apresentação digital ou de processamento de texto, mas desconhecem no geral como maximizar (em termos de estruturação, estética e eficácia na comunicação) o potencial dessas ferramentas. Usam o SMS, Twitter ou outras ferramentas de comunicação curta e imediata mas, no geral, não se apercebem da existência de “ruído” por eles próprios gerado, em prol da velocidade e imediatismo no próprio acto de comunicar. Adoram jogos online e consolas mas raramente os utilizam em contextos de aprendizagem, sobrepondo-se a estes o lazer puro. Surpreendentemente ou não, não são os principais utilizadores de redes sociais – como o Facebook – conforme estudos recentes em Portugal o demonstraram. E, sobretudo, muitos desses utilizadores-alunos, tal como muitos dos seus professores, ainda não perceberam na sua plenitude que as TIC são ferramentas/instrumentos e não fins em si, ou seja, produtos da “ilusão” perante a tecnologia e o conhecimento: a informação, em múltiplos suportes analógicos e digitais com utilização integrada, deve induzir “a capacidade de produzir nova informação, resultante da elaboração sistemática e racional da primeira” (Justino: 84), isto é, “mais do que aprender a fazer, as aprendizagens têm de orientar-se para o aprender a pensar (Justino: 84), durante toda a vida.

A fraca apetência pela abordagem tecnológica, o receio perante a mudança (é muito mais cómoda a postura sedentária perante a vida e o mundo do que uma postura nómada) e a incompreensão perante todo um novo léxico que a “revolução digital” trouxe para a vida quotidiana; introduziram problemas de integração na sociedade do conhecimento, por parte de gerações mais velhas ou de grupos sociais económica, social e culturalmente desfavorecidos à partida, bem como de muitos e de várias gerações que se deixaram seduzir pela “ilusão” perante a tecnologia.

A info-exclusão é, na minha opinião e em sociedades onde não se queira perder o valor da equidade, o desafio maior da “sociedade do conhecimento”. Aqui, o problema não reside apenas nos resistentes do “mundo analógico” mas, sobretudo, numa nova fase da/de (r)evolução da Humanidade, na necessidade de preparação de cidadãos responsáveis e capazes de exercer a(s) nova(s) cidadanias, muito para além da “busca obsessiva da acção” (Justino: 94)

Por isso, a oposição “nativos digitais versus imigrantes digitais” parece-me brutalmente redutora do problema, bem como me parece uma “ilusão” perigosa a proposta de Prensky em colocar o jogo e o recreativo no centro do complexo e difícil processo de aprendizagem e de formação.

Em boa verdade, a busca da compreensão do alcance das transformações que as sociedades contemporâneas têm vivido – e nelas, o papel da educação – talvez ainda necessite de uma abordagem mais “demorada e sublime” que apenas tempo e investigação permitirão.

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Texto publicado originalmente a 14.01.2011 no blogue BECRE